As contas do governo federal apresentaram um resultado positivo em setembro, alcançando um superávit primário de R$ 4,839 bilhões. O desempenho foi impulsionado pelo aumento nas receitas com impostos, exploração de recursos naturais e pelo cancelamento de precatórios determinados pela Justiça, conforme dados divulgados pelo Tesouro Nacional.

O que aconteceu

O valor positivo de setembro superou o saldo negativo de R$ 14,379 bilhões registrado no mesmo período do ano anterior. As receitas líquidas somaram R$ 204,947 bilhões, o que representa um crescimento real de 13,6% na comparação anual, enquanto as despesas totais avançaram em ritmo mais moderado, de 2,4%, totalizando R$ 200,108 bilhões.

Entre os fatores que impulsionaram as receitas estão a alta de R$ 7,3 bilhões na arrecadação do Imposto de Renda e um acréscimo de R$ 5,7 bilhões oriundos da exploração de recursos naturais. O secretário do Tesouro, Daniel Leal, pontuou que parte dos ganhos adicionais veio do imposto de exportação de petróleo instituído após conflitos no Oriente Médio, além do retorno de R$ 13 bilhões referentes a precatórios cancelados aos cofres da União.

Por outro lado, o lado das despesas teve acréscimos em créditos extraordinários, desembolsos previdenciários e complementações para o Fundeb, embora tenha ocorrido uma retração nos gastos discricionários.

Apesar do resultado favorável no mês, o cenário fiscal acumulado de janeiro a setembro permanece deficitário, com saldo negativo de R$ 90,155 bilhões, frente ao déficit de R$ 100,267 bilhões computado nos nove primeiros meses do ano anterior. Em doze meses, o déficit acumulado está em R$ 49,5 bilhões, o equivalente a 0,38% do Produto Interno Bruto (PIB).