O mercado de crédito consignado registrou cifras expressivas em agosto, movimentando R$ 7,4 bilhões no setor público e R$ 8,75 bilhões no privado, conhecido como Crédito do Trabalhador. Apesar do montante elevado, dados divulgados indicam que o cenário atual exige maior atenção dos consumidores, com instituições financeiras adotando critérios mais rígidos de análise e um público enfrentando maior saturação de margem para novos empréstimos.
O que aconteceu
No acumulado de janeiro a agosto, o consignado público alcançou R$ 63 bilhões, mantendo a estabilidade em relação ao ano anterior e sustentando o segmento por dois anos consecutivos por meio de convênios federais, estaduais e municipais. Já no Crédito do Trabalhador, o volume somou R$ 121 bilhões nos últimos 12 meses, mesmo com a vigência do teto de juros.
Apesar dos números robustos, os volumes mensais sofreram retração, caindo da faixa entre R$ 10 bilhões e R$ 11 bilhões para o patamar de R$ 7 bilhões a R$ 9 bilhões. O comportamento recente da demanda é influenciado por dois fatores principais: o público voltado para apostas online reduziu a procura por empréstimos, deixando de impulsionar a busca, enquanto diversos bancos endureceram as regras de negócio e fecharam o cerco para novas concessões.
O mercado de consignado continua movimentando volumes expressivos, tanto no segmento público quanto no privado. Isso mostra que existe espaço para o produto, mas o cenário de vendas ficou mais desafiador. As instituições financeiras estão mais criteriosas na concessão, e parte dos consumidores que já contratou operações encontra menos margem para assumir novos compromissos. Por isso, o desempenho do setor não pode ser analisado apenas pelo tamanho do mercado, mas também pelas condições efetivas para realizar novas operações
Especialistas do setor apontam que nem todo interessado é aprovado ou possui margem disponível para assumir novas dívidas, o que diminui a conversão de propostas em contratos efetivados. O momento atual exige maior rigor na avaliação do perfil financeiro e das condições oferecidas pelos bancos antes de qualquer nova contratação.
Existe uma diferença entre um mercado que continua grande e um mercado em que é mais fácil vender. Hoje, precisamos considerar a margem disponível do cliente, os critérios de cada instituição e as mudanças nos processos de contratação. O crédito consignado segue sendo uma alternativa importante, mas o resultado das operações depende cada vez mais de uma análise adequada do perfil do consumidor e das condições oferecidas pelos bancos






