A adoção de inteligência artificial nas empresas brasileiras tem apresentado riscos operacionais e financeiros que exigem atenção imediata dos gestores. O uso da tecnologia passou de 13% para 17% entre as companhias com dez ou mais pessoas ocupadas no país de 2024 para 2025, alcançando metade das grandes empresas, segundo dados da pesquisa TIC Empresas 2025, divulgada pelo Cetic.br.
O que aconteceu
O levantamento aponta que a maior parte dessa tecnologia utilizada no ambiente corporativo vem de fora. Entre as empresas que utilizam inteligência artificial, 80% adquiriram softwares ou sistemas prontos para uso, modelo no qual o preço, o funcionamento e as regras são definidos exclusivamente pelo fornecedor.
Especialistas na área apontam que essa prática pode gerar forte dependência tecnológica e elevação expressiva de custos ao longo do tempo, transformando a governança de tecnologia em uma responsabilidade direta de quem assina os contratos nas empresas, indo além dos departamentos técnico e jurídico.
Projeções indicam que um percentual significativo de projetos voltados a essa tecnologia pode enfrentar cancelamentos nos próximos anos devido a custos crescentes ou controles inadequados de risco.
Como se proteger
Para evitar prejuízos e manter o controle sobre as operações, recomenda-se que os gestores desenvolvam três competências principais na administração dos sistemas:
Governança de dados: saber exatamente quais informações a empresa possui, onde estão armazenadas e quem tem acesso a elas, garantindo conformidade com a legislação vigente, como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Leitura de arquitetura: mapear detalhadamente quais funções rodam em sistemas de fornecedores externos e quais utilizam infraestrutura própria, identificando onde estão as regras fundamentais do negócio.
Gestão de risco de fornecedor: estabelecer planos de contingência claros para o caso de alterações repentinas de preços, condições ou descontinuidade de serviços por parte dos fornecedores de tecnologia.
O empresário de 2028 não programa. Audita. Sabe onde está o dado, o que roda onde e o que acontece se o fornecedor parar.






