A partir de segunda-feira, 17, abre o prazo de inscrição da Fuvest 2027, principal porta de entrada da Universidade de São Paulo (USP). O candidato tem até 9 de outubro para se cadastrar pela internet, e a taxa custa R$ 228.
A disputa é a mais tradicional do país. Nesta edição, o vestibular oferece 8.147 vagas. No ano passado, 111.480 pessoas se inscreveram.
Como é a prova
O exame se divide em duas fases. A primeira, marcada para 1º de novembro, traz 80 questões de múltipla escolha e cobre o ensino médio inteiro: Matemática, Língua Portuguesa, Física, Química, Biologia, História, Geografia, Filosofia, Sociologia, Inglês, Arte e Educação Física.
Já a segunda fase ocupa dois dias, 6 e 7 de dezembro. A abertura reúne uma redação e dez questões discursivas de Língua Portuguesa. No dia seguinte, caem 12 discursivas distribuídas entre dois, três ou quatro componentes curriculares — a divisão depende da carreira escolhida.
A banca tem fama de exigente, com estrutura própria e foco em precisão técnica. Mais do que memória, a prova cobra domínio conceitual, raciocínio crítico e a habilidade de conectar ideias vindas de áreas distintas.
A Fuvest não é uma prova que se vence com estratégias de curto prazo. Ela exige aprofundamento conceitual, constância nos estudos e desenvolvimento do raciocínio crítico. Quanto antes o aluno entende o perfil da banca e organiza sua rotina, maiores são as chances de chegar competitivo no dia da prova
A avaliação é do coordenador pedagógico da Brazilian International School (BIS), que recomenda treino com provas anteriores e simulados completos.
Rotina de estudos recomendada
O tempo sugerido varia de duas a três horas diárias, quebradas em blocos: 20 minutos revisando o que já foi visto, de 70 a 80 minutos de teoria com exercícios, uma pausa curta e, no fim, um bloco reservado à prática ou à escrita.
Uma divisão possível espalha as áreas pela semana: Linguagens na segunda-feira, Humanas na terça, Natureza na quarta, Matemática na quinta e, para fechar, redação somada à leitura das obras e de atualidades na sexta.
Entre os temas que se repetem estão interpretação textual em Português; funções, probabilidade e geometria plana em Matemática; genética e ecologia em Biologia; eletrodinâmica e mecânica em Física; e geopolítica, urbanização e leitura de mapas em Geografia.
Redação mudou de formato
A partir do vestibular 2026, a banca passou a propor redações em gêneros textuais variados, e não só no dissertativo-argumentativo. A novidade cobra leitura atenta do enunciado e domínio das marcas do gênero pedido.
A redação tem um peso significativo e pode ser decisiva para a aprovação. A Fuvest avalia não apenas a escrita correta, mas a capacidade de compreender a proposta, adaptar-se ao gênero solicitado e construir um texto coerente e bem articulado. Treinar diferentes gêneros textuais e ampliar o repertório de leitura é indispensável
Lista de livros só com autoras mulheres
Nenhum autor homem aparece nas leituras obrigatórias de 2027: são nove obras assinadas por escritoras de língua portuguesa. Entram na lista “A Paixão Segundo G. H.”, de Clarice Lispector; “A Visão das Plantas”, de Djaimilia Pereira de Almeida; “Balada de Amor ao Vento”, de Paulina Chiziane; “Caminho de Pedras”, de Rachel de Queiroz; “Canção para Ninar Menino Grande”, de Conceição Evaristo; “Geografia”, de Sophia de Mello Breyner Andresen; “Memórias de Martha”, de Julia Lopes de Almeida; “Nebulosas”, de Narcisa Amália; e “Opúsculo Humanitário”, de Nísia Floresta.
A cobrança costuma ser interpretativa, por trechos ou em perguntas sobre estilos, temas e vozes narrativas. Decorar resumo não resolve. Fichamento, releitura das passagens-chave e grupos de leitura estão entre as estratégias apontadas por professores.







