Moradores de Guarulhos que investem em renda fixa devem acompanhar as discussões em nível federal sobre a possível reformulação na tributação de títulos incentivados, atualmente isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas. O tema foi colocado em debate pela equipe econômica do governo federal como forma de buscar maior eficiência no mercado financeiro nacional.
O que aconteceu
De acordo com o secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal, a administração federal avalia que os atuais benefícios geram distorções no mercado que precisam ser solucionadas. Os títulos incentivados são ferramentas de renda fixa utilizadas por empresas para captar recursos destinados a setores prioritários da economia, como energia, transporte, saneamento, telecomunicações, agronegócio e o mercado imobiliário.
Os dados do setor mostram forte expansão recente. Em 2025, a captação de debêntures incentivadas alcançou R$ 177,97 bilhões, registrando o maior patamar anual desde o início da série histórica em 2018. Informações da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) indicam que as aplicações em ativos com vantagens fiscais — abrangendo LCIs, LCAs, CRIs, CRAs e debêntures incentivadas — registraram alta de 15,5% no mesmo ano, somando R$ 1,43 trilhão.
Somente os certificados de recebíveis imobiliários (CRIs) movimentaram R$ 2025 com captação de R$ 49 bilhões, destacando a relevância da securitização para o financiamento da construção civil. No meio do ano passado, o governo tentou aprovar uma Medida Provisória para instituir alíquota de 5% de Imposto de Renda sobre os papéis isentos e unificar as cobranças dos demais em 17,5%, eliminando a tabela regressiva vigente. Contudo, a proposta não avançou no Congresso Nacional e perdeu validade.
Especialistas do mercado apontam que eventuais alterações na tributação podem gerar cautela entre investidores e impactar a captação de recursos essenciais para obras de infraestrutura e desenvolvimento urbano em todo o país.






