O reajuste de 15% no programa Bolsa Família deve gerar reflexos positivos na atividade econômica nacional a partir de 2027, conforme avaliação divulgada nesta terça-feira (22) pelo Ministério da Fazenda. A projeção indica que a medida ajudará a contrabalançar um cenário de desaceleração da economia, sem gerar conflito com a política monetária vigente.

O que aconteceu

Durante uma coletiva de imprensa destinada a comentar a nova grade de parâmetros macroeconômicos, a Secretaria de Política Econômica apontou que o incremento na transferência de renda terá maior relevância no próximo ano, uma vez que abrangerá mais meses de vigência em comparação ao período anterior. Para o ano de 2026, como a alteração passará a valer somente em outubro, a pasta não projeta reflexos expressivos na atividade econômica, considerando que qualquer impulso marginal seria apenas temporário.

Para o próximo ano, esperamos impactos mais relevantes do que para este ano [na atividade], visto que você tem mais meses para o aumento incremental dessa transferência em relação ao ano anterior, [então] isso tende a contribuir positivamente para a atividade

A representação da pasta econômica também pontuou que o vetor de estímulo trazido pelo programa social é bem-vindo diante do momento de flexibilização e desaquecimento econômico. No entanto, os números referentes a esse reajuste ainda não constam nas projeções atualizadas para o Produto Interno Bruto (PIB) e para a inflação, pois a grade de parâmetros macroeconômicos foi fechada em 4 de setembro, antes da oficialização do aumento do benefício.

E ele não conflita com a política monetária, porque estamos em um cenário de desaceleração e de flexibilização da política monetária até então

Em termos financeiros, as estimativas do Ministério da Fazenda apontam que a expansão do programa social exigirá um aporte de R$ 5,8 bilhões aos cofres públicos no último trimestre de 2026, compreendendo os meses de outubro a dezembro. Para o ano fechado de 2027, o custo estimado da medida alcançará o montante de R$ 22,7 bilhões.