Moradores devem redobrar a atenção para a proliferação de vetores que transmitem doenças graves como dengue e chikungunya, cenário que tem motivado iniciativas internacionais de controle biológico. Uma operação internacional realizada em Barcelona, na Espanha, liberou mais de 1,5 milhão de insetos infectados com uma bactéria específica para tentar diminuir a quantidade de mosquitos da espécie Aedes albopictus, conhecida como mosquito-tigre-asiático.
O que aconteceu
A ação é conduzida pela Agência de Saúde Pública de Barcelona junto com empresas especializadas e prevê a soltura de aproximadamente 80 mil insetos machos por semana. O projeto é inédito na Europa em escala urbana e serve para complementar os métodos tradicionais, como a eliminação de criadouros e o emprego de inseticidas.
A técnica empregada utiliza a bactéria Wolbachia por meio de um mecanismo chamado incompatibilidade reprodutiva. Quando machos que carregam essa bactéria cruzam com fêmeas que não possuem a mesma variação, os ovos não chegam a eclodir. O objetivo principal é diminuir paulatinamente o número de insetos na região. Para garantir a segurança do processo, um sistema automatizado com inteligência artificial separa os insetos para assegurar que apenas machos sejam liberados, evitando que fêmeas férteis comprometam o resultado.
O mosquito-tigre-asiático já foi detectado em ao menos 16 países europeus. A espécie consegue se multiplicar em pequenas quantidades de água parada, o que dificulta o combate aos criadouros, além de contar com a influência do aquecimento global na expansão de sua área de atuação.
Como funciona no Brasil
No Brasil, o uso da mesma bactéria ocorre com um objetivo diferente. Enquanto o projeto espanhol busca reduzir a população total de insetos, a estratégia nacional foca em diminuir a capacidade de transmissão de vírus. Dados da Fundação Oswaldo Cruz apontam quedas expressivas nos registros de dengue, chikungunya e Zika em municípios como Niterói, no Rio de Janeiro, e Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.
O método já beneficiou milhões de pessoas no país e conta com biofábricas para a produção dos ovos, incluindo uma unidade inaugurada em Curitiba. A cidade de Campinas, no interior paulista, também foi escolhida pelo Ministério da Saúde para receber a tecnologia, com previsão de início das liberações em maio de 2027 e resultados esperados para o ano seguinte.






