Moradores de Guarulhos que acompanham o cenário econômico nacional precisam ficar atentos às projeções fiscais para os próximos anos. Um estudo divulgado em setembro pela Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão vinculado ao Senado Federal, aponta que o governo federal enfrentará dificuldades para cumprir a meta de resultado primário prevista para 2027.

O que aconteceu

A análise examina o projeto da Lei Orçamentária Anual (LOA) enviado pelo governo ao Congresso Nacional em agosto. Enquanto o texto governamental projeta um superávit primário de R$ 18,6 bilhões para 2027, os cálculos da IFI indicam um déficit de R$ 86,1 bilhões. Para tentar cumprir a meta formalmente, o relatório estima que o governo terá de congelar pelo menos R$ 35,7 bilhões em despesas ao longo daquele ano, repetindo o contingenciamento já ocorrido em 2026.

O cenário de alerta fiscal decorre do comportamento da dívida pública e dos juros. Atualmente, a dívida do setor público equivale a 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB) e pode alcançar 86,4% até o fim de 2027. A alta do endividamento pressiona os juros, encarecendo financiamentos, crédito consignado e cartão de crédito, enquanto as despesas obrigatórias limitam a margem de cortes do Executivo. Na economia real, a IFI projeta um crescimento do PIB de 1,8% em 2027, abaixo dos 2,5% estimados pelo governo, o que traz possíveis impactos sobre a geração de emprego e renda.

Apesar do déficit projetado, o projeto orçamentário (identificado como PLN 24/2026) garante os principais programas sociais. O Bolsa Família contará com R$ 157,1 bilhões e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) com R$ 145,1 bilhões, enquanto o abono salarial e o seguro-desemprego somarão R$ 104,7 bilhões. O texto também reserva R$ 10,5 bilhões para o programa Pé-de-Meia, além de recursos para o novo salário-paternidade, com vigência a partir de 1º de janeiro, e para a ampliação do salário-maternidade a trabalhadoras autônomas e rurais.

No que tange aos precatórios, que são dívidas do poder público reconhecidas pela Justiça em decisões definitivas, a previsão de pagamento pela União é de R$ 97,7 bilhões em 2027. O montante representa uma redução de R$ 24,6 bilhões na comparação com o orçamento de 2026. Analistas do setor avaliam que a diminuição no volume de recursos reservados para esses pagamentos exige acompanhamento rigoroso por parte de credores e advogados diante do cronograma tradicional de liberação dos valores.