Tiros na área externa do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, encerraram uma operação da Polícia Federal na tarde de sexta-feira (31). Os agentes flagraram suspeitos que tinham entrado em setor restrito do terminal. O plano do grupo, segundo as investigações, era despachar uma carga de cocaína em avião com destino à Europa.

Segundo a PF, o grupo foi surpreendido durante uma operação de monitoramento contra o tráfico internacional de drogas. Ao notar a chegada dos agentes, os suspeitos reagiram, e os disparos aconteceram nas proximidades do aeroporto.

Para chegar até a área restrita, o grupo se aproveitou das obras de canalização do rio Baquirivu, que contorna o aeroporto, e cortou alambrados e cercas. Apesar da intensidade do confronto, ninguém ficou ferido. Os criminosos fugiram em direção a uma comunidade do Jardim Presidente Dutra e, até a última atualização, nenhum suspeito havia sido preso.

Método já conhecido pelas autoridades

As primeiras informações apontam para um dos métodos que as autoridades já mapearam no envio de drogas ao exterior: invadir a área operacional do aeroporto e introduzir malas ou pacotes com cocaína em aeronaves prestes a decolar, driblando os procedimentos regulares de embarque.

O destino da carga seria um país europeu, rota usada com frequência por organizações criminosas do tráfico internacional de entorpecentes. A corporação não divulgou a quantidade de droga que seria embarcada nem confirmou se houve apreensão do entorpecente durante a ação.

Voos seguiram normalmente

Depois dos disparos, equipes da Polícia Federal reforçaram a segurança e fizeram buscas nas imediações do aeroporto. Polícia Civil e Polícia Militar também foram chamadas e participaram da ação.

O tiroteio ficou restrito a uma área de acesso operacional, e por isso pousos e decolagens não sofreram impacto: o movimento do aeroporto seguiu normal durante toda a tarde. Passageiros que estavam nas imediações contaram momentos de tensão quando os disparos começaram, e testemunhas gravaram vídeos da movimentação policial que se espalharam pelas redes sociais.

O que a investigação ainda vai apurar

Quem são todos os integrantes do grupo e por qual brecha eles chegaram à área restrita: é isso que a corporação quer esclarecer agora. A apuração vai verificar ainda se funcionários terceirizados participaram do esquema ou se há integrantes de organizações criminosas envolvidas na logística do tráfico internacional de drogas — modalidade que virou alvo de diversas operações da PF nos últimos anos. Principal porta de saída de voos internacionais do país, o aeroporto é um dos pontos que a Polícia Federal mais vigia quando o assunto é envio de cocaína ao exterior.