Receber o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) pode trazer alívio por esclarecer dúvidas sobre o desenvolvimento da criança, mas também levantar questionamentos sobre os próximos passos. Quais terapias procurar? Como definir as prioridades do tratamento? E de que maneira a família pode participar desse processo? A jornada terapêutica começa com o acolhimento e a compreensão das necessidades individuais da criança, etapas que orientam a construção de um plano de cuidados.
A dimensão dessa demanda aparece nos dados do Censo Demográfico 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento identificou 2,4 milhões de pessoas com diagnóstico declarado de autismo no país, o equivalente a 1,2% da população. Entre crianças e adolescentes de até 19 anos, o número chegou a aproximadamente 1,1 milhão, com maior proporção de diagnósticos na faixa dos 5 aos 9 anos, na qual o percentual foi de 2,6%. Nesse cenário, compreender o percurso após a confirmação do TEA é importante para que as famílias encontrem informações e saibam como buscar acompanhamento adequado em âmbito nacional.
O que aconteceu
O primeiro passo é compreender que o diagnóstico não determina sozinho quais intervenções serão necessárias, conforme aponta a avaliação especializada. Cada criança possui características, habilidades, interesses e necessidades próprias, exigindo uma escuta cuidadosa da família para entender a comunicação, a interação, o aprendizado e a realização das atividades cotidianas.
Cada criança tem características, habilidades, interesses e necessidades próprias. Por isso, o atendimento precisa começar com uma escuta cuidadosa da família e uma avaliação que permita entender como ela se comunica, interage, aprende e realiza as atividades do cotidiano. É a partir desse conhecimento que conseguimos estabelecer prioridades e construir um plano terapêutico coerente com a realidade daquela criança
Conforme as orientações do Ministério da Saúde, o cuidado deve considerar diferentes dimensões do desenvolvimento e resultar em um Projeto Terapêutico Singular (PTS), elaborado com a participação da equipe de saúde, da pessoa atendida e de seus familiares. Na prática, esse processo envolve conhecer o histórico da criança, identificar habilidades já desenvolvidas e aspectos que demandam apoio, além de definir objetivos acompanhados ao longo do tempo.
A escolha das intervenções e a frequência dos atendimentos consideram as necessidades individuais, sem pressupor que todas as crianças com TEA devam seguir o mesmo percurso. O acompanhamento pode reunir especialidades como Psicologia, Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional e Psicopedagogia. Mais do que oferecer diferentes terapias, o desafio é fazer com que os profissionais compartilhem informações e alinhem objetivos.
Não basta estabelecer objetivos isolados para cada especialidade. Precisamos entender como os aprendizados se relacionam e de que maneira podem contribuir para a comunicação, a autonomia e a participação da criança nas situações do dia a dia. O plano terapêutico deve ser acompanhado e revisto conforme os avanços, as dificuldades observadas e as novas necessidades que surgem durante o desenvolvimento
Como se proteger
A família desempenha papel fundamental nessa trajetória por meio da orientação parental, que ajuda pais e responsáveis a compreenderem os objetivos do tratamento, compartilharem informações sobre o comportamento fora da clínica e incorporarem estratégias à rotina. O suporte visa a participação nas decisões e o acompanhamento do desenvolvimento, incluindo o cuidado com o bem-estar dos próprios responsáveis.
O diagnóstico pode trazer muitas perguntas, e a família não precisa ter todas as respostas de imediato. O importante é construir esse caminho com profissionais que escutem os responsáveis, respeitem as particularidades da criança e expliquem os objetivos de cada etapa. O acompanhamento não se resume às sessões: ele envolve observar o desenvolvimento ao longo do tempo e ajustar as estratégias sempre que necessário






