Empreendedores têm ampliado o uso de inteligência artificial na gestão de seus negócios, mas a adoção da tecnologia ainda esbarra em obstáculos importantes. O receio quanto à confiabilidade das respostas geradas pelos sistemas e a relutância em abandonar ferramentas ultrapassadas são os principais pontos que retardam a modernização das operações mercantis.

O que aconteceu

Durante o evento AIWorld/SuiteWorld, realizado em Las Vegas, nos Estados Unidos, executivos da Oracle Netsuite apontaram que a falta de contexto adequado pode fazer com que a inteligência artificial forneça respostas incorretas com tom convincente, gerando desconfiança nos usuários.

Um dos desafios da IA é que, se ela não tiver o contexto adequado para responder à pergunta, ainda assim pode tentar responder e soar muito convincente, mas sem necessariamente ter a resposta correta.

Outro fator que desacelera a inovação é a resistência à mudança. Muitas empresas continuam operando com os mesmos softwares adotados no início de suas atividades, mesmo após alcançarem faturamento expressivo, mantendo processos manuais em vez de adotarem sistemas modernos de gestão.

No mercado brasileiro, essa característica de manter sistemas antigos por longos períodos é ainda mais evidente. Segundo a gestão da empresa, o padrão no país envolve o uso prolongado de planilhas e a contratação contínua de mais pessoal para lidar com gargalhos operacionais, em vez de investir em tecnologia corretiva.

Uma característica muito particular do Brasil é que as empresas permanecem por muito tempo da mesma forma. Elas usam planilhas durante muitos anos. Quando esses sistemas deixam de ser suficientes, em vez de substituí-los, contratam mais pessoas.

A respeito do temor de que a automação substitua postos de trabalho, a direção da companhia afirmou que o objetivo principal é direcionar as equipes para atividades de maior impacto estratégico, reduzindo o tempo gasto em tarefas repetitivas de manutenção operacional.

Durante a convenção, foram anunciadas atualizações baseadas em inteligência artificial focadas em interfaces conversacionais para eliminar fricções e simplificar a operação. No entanto, essas novidades estão restritas a mercados como Estados Unidos e Canadá, com apenas testes piloto em andamento no Brasil e sem data oficial para lançamento integral no país.