Especialistas da Universidade de São Paulo uniram biologia e engenharia para testar uma ferramenta inédita no país voltada à análise de espécimes arbóreos nas cidades. O método emprega o escaneamento por luz de detecção e alcance para mapear a saúde estrutural de plantas urbanas e aprimorar o manejo de cortes, diminuindo riscos de tombamento.

Tecnologia e simulação digital

O procedimento gera uma nuvem composta por milhões de coordenadas que reproduz digitalmente a arquitetura exata da planta no computador. A partir dessa réplica virtual, os profissionais aplicam um algoritmo baseado em otimização topológica que simula a força de ventos intensos no modelo tridimensional, apontando os pontos mais vulneráveis da estrutura.

O sistema calcula com exatidão quais ramificações precisam ser cortadas para que o vegetal redistribua suas tensões internas, tornando-se mais equilibrado. A meta da equipe é transformar a tecnologia em um aplicativo prático para orientar o manejo urbano e blindar as plantas contra rajadas fortes.

Histórico de temporais

O desafio ganhou urgência após eventos extremos recentes. Em dezembro de 2025, ventos superiores a 90 km/h atingiram a capital e arredores, gerando 1.327 chamados para quedas na Região Metropolitana de São Paulo e deixando mais de 2 milhões de pessoas sem energia. Outro temporal forte atingiu a mesma área na tarde do dia 29 de julho.

Podas mal calculadas deixam as árvores vulneráveis ao vento que, em altas velocidades, pode causar o arrancamento ou a quebra de troncos e galhos, principalmente em árvores isoladas. O problema é potencializado pelos túneis de vento, os chamados cânions urbanos. Rajadas de vento, chuva e alta temperatura durante a estação chuvosa aumentam o risco de queda, especialmente em árvores mal manejadas ou doentes.

Metodologia no campus

O teste prático ocorreu em uma tipuana localizada no campus Butantã da USP. O equipamento de captura foi montado em um tripé próximo à base iluminada e movimentado para diferentes ângulos até obter 30 milhões de pontos na modelagem. Os testes de estresse simulam como a planta responde a ventos e variações térmicas.

Esse artigo é importante porque é uma prova de conceito. Com as equações matemáticas, demonstrando que é possível usar o LiDAR para tal fim.

O algoritmo busca limitar a remoção de material a no máximo 20% da composição total do vegetal, priorizando áreas com maior flexibilidade mecânica para garantir uma estrutura firme e resistente contra intempéries.