A arrecadação federal com impostos e contribuições atingiu R$ 2,35 trilhões no acumulado entre janeiro e setembro de 2026, representando o maior valor para o período na série histórica da Receita Federal, iniciada em 1995. O montante sinaliza alta de 6,97% acima da inflação na comparação com os nove primeiros meses do ano anterior, sustentado pelo desempenho da economia, pelos juros elevados que turbinam o Imposto de Renda sobre aplicações financeiras e pela tributação sobre a exportação de petróleo.
O que aconteceu
No mês de setembro, a arrecadação somou R$ 239,4 bilhões, o que configura um avanço real de 5,62% sobre o mesmo mês do ano passado e também estabelece um recorde para o período. No entanto, os indicadores apontam uma perda de ritmo e sinais de desaceleração nas receitas administradas pela Receita, cujo crescimento acumulado no ano recuou de 7,10% até agosto para 6,89% até setembro.
Os dados de base para a cobrança refletem essa moderação na atividade. A produção industrial caiu 1,83% na comparação anual em agosto, mês de referência para a arrecadação de setembro, enquanto as vendas do comércio ficaram estáveis. O recolhimento do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) por estimativa mensal recuou 0,58% em termos reais no mês.
Especialistas apontam que o resultado foi impulsionado por fatores extraordinários e tributos regulatórios. Entre janeiro e setembro, o governo arrecadou R$ 12,869 bilhões com o imposto de exportação sobre o petróleo bruto. A arrecadação total chegou a 23,2% do PIB até setembro, superando em 0,9 ponto percentual o patamar registrado no mesmo período de 2025.
Por outro lado, algumas cobranças têm frustrado as projeções oficiais. A tributação de lucros e dividendos levantou R$ 5,26 bilhões de janeiro a setembro, valor que equivale à metade dos R$ 10,5 bilhões projetados pelo governo para o ano, quantia essa que já havia sofrido cortes em relação à estimativa inicial de R$ 29,9 bilhões.
Como se proteger
Diante do cenário de desaceleração econômica e alerta fiscal para o próximo ano, cidadãos e empresas devem redobrar o planejamento financeiro e o controle de gastos para mitigar os impactos da oscilação na atividade econômica e na manutenção das taxas de juros.
Nossa leitura é que a dinâmica das receitas deve garantir o cumprimento da meta fiscal em 2026, mas não deve ser suficiente para resolver o desafio em 2027






