A gigante petroquímica Braskem deu mais um passo previsível em sua longa novela financeira. Na última segunda-feira, 24 de junho, o Conselho de Administração da companhia deu o sinal verde para protocolar um pedido de recuperação extrajudicial, uma manobra jurídica desenhada para tentar organizar a bagunça de seus débitos sem precisar implorar favor em tribunais de forma caótica.
Blindagem de caixa e contas intocadas
O processo, que está prestes a ser formalizado, serve basicamente para garantir um ambiente jurídico estável enquanto a empresa tenta convencer credores e investidores a aceitarem uma nova realidade para suas contas. A direção faz questão de ressaltar que o mecanismo é estritamente financeiro e bem diferente de uma recuperação judicial completa.
As obrigações com fornecedores, clientes e demais stakeholders permanecem inalteradas.
A promessa é de que os contratos operacionais continuem rodando sem interrupções, poupando quem está na ponta do dia a dia da bagunça corporativa.
Buraco financeiro e histórico de manobras
A tentativa atual não surge do nada. Em junho de 2024, a companhia já havia corrido para a Justiça para conseguir uma blindagem provisória, conseguindo congelar a execução de suas dívidas por 60 dias através da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca da Capital do Estado de São Paulo. Como esse prazo vencia justamente em 25 de junho, a saída extrajudicial entra em cena em uma sucessão imediata para manter a máquina protegida.
O tamanho do buraco explica a urgência. No Brasil, as dívidas da petroquímica rondam a casa dos US$ 10,9 bilhões, o que dava cerca de R$ 56 bilhões na cotação cambial de junho de 2024. É o tipo de cifra astronômica que mexe com o cenário econômico do país inteiro e obriga a diretoria a buscar um acordo consensual rápido para evitar um colapsar generalizado.
Peso global e importância industrial
Nascida em agosto de 2002 a partir da fusão de seis empresas dos grupos Novonor e Mariani, a Braskem virou um monstro do setor com atuação internacional. Suas unidades fabris não se limitam ao território brasileiro, marcam presença também na Alemanha, nos Estados Unidos e no México, ditando o ritmo de mercados estratégicos.
A especialidade da casa é a produção de resinas termoplásticas, como polietileno, polipropileno e PVC. Esses materiais funcionam como a matéria-prima vital para uma infinidade de indústrias, desde embalagens e montadoras de veículos até a construção civil, o agronegócio e a fabricação de bens de consumo duráveis. É justamente essa relevância sistêmica que faz o mercado financeiro inteiro suar frio a cada passo que a empresa dá em direção aos tribunais.







