A Comissão de Indústria, Comércio e Serviços da Câmara dos Deputados deu sinal verde para novas diretrizes relacionadas ao registro de patentes envolvendo inteligência artificial. O texto avaliado define que a titularidade de criações geradas por sistemas tecnológicos ficará nas mãos de quem investe e disponibiliza os meios técnicos necessários, movimentando o debate sobre a modernização da Lei de Propriedade Industrial.

Quem financia fica com o direito

A proposta inicial sofreu alterações antes da votação para barrar a possibilidade de robôs e softwares figurarem como inventores legítimos. A relatoria da matéria argumentou que apenas pessoas físicas ou empresas possuem capacidade jurídica para responder por direitos patrimoniais e licenças.

alinhar a LPI à realidade econômica

Apesar de excluir softwares como detentores de registros, a medida abre espaço para que profissionais humanos que participaram diretamente do desenvolvimento técnico apareçam como coautores, desde que comprovem real contribuição inventiva no projeto.

Cenário atual e o famoso precedente

Atualmente, a legislação em vigor no país já impede que máquinas sejam reconhecidas como inventoras. Um exemplo emblemático ocorreu no Instituto Nacional da Propriedade Industrial, que negou o registro de criações associadas a um sistema autônomo conhecido internacionalmente, reforçando que a lei exige um titular capaz de exercer obrigações.

Reflexos diretos para o polo tecnológico local

Para o ecossistema de inovação instalado em Guarulhos e nos municípios vizinhos da Grande São Paulo, a mudança traz um alívio considerável. A região abriga diversas startups e centros de pesquisa acadêmica focados em automação e soluções digitais.

Com regras mais transparentes, pequenas e médias empresas guarulhenses ganham segurança jurídica para apostar em pesquisa e desenvolvimento, eliminando dúvidas sobre quem de fato protege a propriedade intelectual de novas ferramentas.

Próximos passos no Congresso

O projeto tramita em caráter conclusivo e agora segue para avaliação da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para que passe a valer integralmente no país, a proposta ainda precisará passar pelo crivo do Senado Federal.