O cenário econômico nacional exige uma guinada drástica para destravar o desenvolvimento e colocar o país no mapa das grandes potências globais. Um levantamento recente divulgado pela Confederação Nacional da Indústria indica que o Brasil precisa simplesmente duplicar os aportes destinados à infraestrutura. A meta é eliminar o passivo acumulado ao longo de décadas e atingir parâmetros internacionais de competitividade por meio de novas regras de financiamento que atraiam com mais força a iniciativa privada para projetos de longo prazo.

O tamanho do buraco e a conta que não fecha

No ano de 2024, o total aplicado no setor alcançou a marca de R$ 266,8 bilhões, o que representa 2,27% do Produto Interno Bruto. A entidade setorial, contudo, bate na tecla de que esse patamar é insuficiente e precisa saltar para 4,65% do PIB, o equivalente a cerca de R$ 550 bilhões anuais. Manter essa injeção pesada de recursos por um período de vinte anos é tratado como condição indispensável para que a engrenagem econômica volte a girar sem travas estruturais.

O estudo intitulado Financiamento dos Investimentos em Infraestrutura no Brasil joga luz sobre a urgência de mudanças operacionais. Do montante aplicado no último ano, R$ 188,1 bilhões, ou seja, 70,5% do total, saíram dos cofres da iniciativa privada. Em contrapartida, o setor público respondeu por R$ 78,6 bilhões, sendo que estados e prefeituras arcaram com a maior fatia dessa conta. Essa dinâmica reverbera diretamente em cidades estratégicas como Guarulhos e em toda a região metropolitana de São Paulo, onde gargalos logísticos custam caro para a atração de novos negócios e para a geração de empregos.

Capital privado ganha espaço enquanto verba pública encolhe

A radiografia do período entre 2010 e 2024 revela uma reviravolta na composição financeira desses projetos. As fontes particulares de recursos dispararam de R$ 88,6 bilhões para R$ 184,5 bilhões. Na contramão, a verba estatal despencou de R$ 208,5 bilhões para R$ 107 bilhões, invertendo completamente o peso de cada setor no tabuleiro.

Para a entidade industrial, nenhuma das fontes de recursos consegue suprir sozinha a demanda monumental por melhorias. Por isso, a saída passa obrigatoriamente por um modelo misto que encoraje o mercado de capitais e ofereça garantias sólidas para investidores de longo prazo. Modelos adotados em países como Reino Unido e Chile servem de exemplo de como a estabilidade econômica e mercados maduros conseguem alavancar a infraestrutura, cabendo ao Estado um papel estratégico para destravar e atrair o capital privado.