As contas do Governo Central, que englobam o Tesouro Nacional, a Previdência Social e o Banco Central, fecharam o mês de setembro com um superávit primário de R$ 4,8 bilhões. O dado foi divulgado pela Secretaria do Tesouro Nacional e representa uma reversão em relação ao déficit de R$ 14,4 bilhões registrado no mesmo período do ano anterior.
O que aconteceu
O resultado positivo foi impulsionado pelo avanço da receita líquida, que cresceu 13,6% acima da inflação na comparação anual, somando um acréscimo de R$ 24,6 bilhões. No mesmo período, as despesas públicas aumentaram 2,4%, o que corresponde a uma alta de R$ 4,7 bilhões.
Entre os fatores que alçaram as receitas, destacam-se o desempenho do Imposto de Renda — puxado principalmente pelo Imposto de Renda da Pessoa Jurídica — e a alta na arrecadação com a exploração de recursos naturais. As receitas provenientes de recursos naturais cresceram 71,9%, somando R$ 5,7 bilhões a mais em termos reais, impulsionadas pela valorização internacional do petróleo e pela comercialização de gás e petróleo da União.
Outro ponto que influenciou o resultado foi a devolução à União de recursos referentes a precatórios de exercícios anteriores que haviam sido cancelados pelo Poder Judiciário, além de R$ 2,9 bilhões arrecadados com o imposto de exportação sobre óleo bruto.
Despesas e impacto internacional
Do lado dos gastos, os créditos extraordinários registraram alta de R$ 9,9 bilhões. A maior parcela desse montante — R$ 7,6 bilhões — foi direcionada a subvenções econômicas para a produção e importação de diesel e derivados, como medida para mitigar os impactos econômicos da guerra no Oriente Médio.
Os gastos com benefícios previdenciários também subiram R$ 2,1 bilhões acima da inflação, refletindo o crescimento no número de beneficiários do Regime Geral de Previdência Social (RGPS) e a política de valorização real do salário mínimo. Em contrapartida, houve uma redução de R$ 8,4 bilhões nas despesas discricionárias.
Apesar do desempenho favorável em setembro, o acumulado do ano ainda apresenta saldo negativo. De janeiro a setembro, o Governo Central registra um déficit primário de R$ 90,2 bilhões, valor inferior aos R$ 100,3 bilhões negativos contabilizados no mesmo intervalo de 2025.






