dados recentes sobre o desempenho fiscal do governo federal revelam a permanência de um cenário desafiador para as contas públicas, marcado por uma pequena redução no déficit primário e por uma aceleração expressiva na dívida bruta e na dívida líquida. a situação econômica exige atenção rigorosa quanto aos rumos financeiros do país nos próximos anos.
o que aconteceu
conforme os registros oficiais, o governo central — composto por tesouro, banco central e inss — registrou em setembro um superávit primário de r$ 4,8 bilhões. no acumulado do ano, o déficit diminuiu de r$ 102,2 bilhões para r$ 90,1 bilhões, o que representa 0,89% do produto interno bruto (pib). a leve melhora ocorreu porque as despesas totais cresceram em ritmo ligeiramente inferior ao das receitas líquidas, com altas de 5,4% e 6,5%, respectivamente.
no entanto, o comportamento do setor público consolidado, que inclui estados, municípios e estatais, apresentou um resultado negativo de r$ 5,5 bilhões em setembro, mesmo com o superávit do governo central. em 12 meses, o rombo alcançou r$ 70,1 bilhões, equivalente a 0,52% do pib.
o indicador que mais gera preocupação é a evolução da dívida pública. a dívida líquida atingiu r$ 9,4 trilhões, alcançando 70% do pib, após um avanço de 4,7 pontos percentuais no ano até setembro. já a dívida bruta chegou a 82,9% do pib, somando r$ 11,1 trilhões, com aumento de 4,2 pontos percentuais no mesmo período.
como se proteger
especialistas em economia apontam que a contenção do endividamento público passa necessariamente pela adoção de um ajuste fiscal consistente e pelo controle rigoroso das despesas obrigatórias. sem medidas estruturais de reequilíbrio nas contas do governo, o cenário pode resultar em pressões inflacionárias, taxas de juros elevadas e restrições ao crescimento econômico sustentável, afetando diretamente a estabilidade financeira de todo o país.






