O endividamento das famílias brasileiras junto ao sistema financeiro alcançou 50,1% da renda anual em agosto, registrando o maior patamar da série histórica do Banco Central. O dado, que engloba financiamentos imobiliários, empréstimos pessoais, crédito consignado e o uso de cartões, acende um sinal de alerta sobre a saúde financeira da população.

O que aconteceu

De acordo com o levantamento oficial divulgado pelo Banco Central, o comprometimento do orçamento mensal com o pagamento de parcelas de dívidas subiu de 28,8% para 29%. Quando o financiamento imobiliário é retirado do cálculo, o endividamento atinge 31% da renda.

O relatório também apontou que a inadimplência, caracterizada pelo atraso superior a 90 dias no pagamento de qualquer parcela, chegou a 8,1% em agosto, renovando marcas históricas. Especialistas apontam que o cenário é reflexo do crescimento do crédito em ritmo superior ao aumento da renda das famílias, combinado com o impacto de taxas de juros elevadas e o encarecimento do crédito livre, que atingiu média de 62,4% ao ano.

Para tentar conter o avanço das dívidas, o governo federal implementou diferentes fases de programas de renegociação, como o Desenrola, e estuda novas etapas para facilitar a quitação de débitos antigos nos próximos anos. No entanto, analistas econômicos alertam que a cautela dos bancos diante do aumento da inadimplência e a incerteza fiscal continuam pressionando o orçamento doméstico.