O descarte irregular de restos de obras, tijolos, plásticos, móveis e terra em vias públicas, margens de córregos e áreas de drenagem representa um obstáculo crítico para o escoamento da água durante os temporais, agravando o risco de alagamentos em diversas regiões do país. De acordo com dados de abrangência nacional, a presença desses materiais pode bloquear bueiros, galerias e cursos d'água, intensificando os impactos das precipitações.

O que aconteceu

Apesar do risco associado aos resíduos acumulados, apenas 11 das 24 unidades da Federação participantes da Pesquisa Setorial Abrecon 2026, o que corresponde a cerca de 46%, declararam realizar ações de monitoramento ou mapeamento de áreas clandestinas de descarte. O levantamento também aponta que, entre os estados que monitoram esses locais, somente Paraíba, Rio de Janeiro e Sergipe informaram divulgar relatórios periódicos sobre fiscalização e limpeza.

A situação ganha urgência diante de alertas meteorológicos recentes. O painel da Defesa Civil do Estado de São Paulo indicou previsão de chuvas para os dias 28 e 29 de janeiro, com expectativa de acumulados expressivos e temporais no período da tarde, reforçando a necessidade de atenção aos sistemas de drenagem urbana.

Quando restos de uma obra são deixados na rua ou na margem de um córrego, eles não desaparecem com a chuva. Parte desse material pode ser arrastada e se acumular justamente onde a água precisa passar. Em locais que já apresentam dificuldades de drenagem, o descarte irregular acrescenta um problema que poderia ser evitado.

Órgãos de controle consultados pelo levantamento destacam que problemas de infraestrutura urbana e drenagem, contaminação do solo e proliferação de vetores figuram entre os efeitos mais recorrentes associados a essa prática. Especialistas ressaltam que, embora as enchentes tenham múltiplas causas, como a impermeabilização do solo e a intensidade das chuvas, a remoção e o controle de resíduos são fundamentais para minimizar os transtornos.

O que fazer

A prevenção começa no planejamento de pequenas reformas e obras particulares. Moradores e responsáveis por construções devem adotar práticas adequadas para a destinação do entulho, consultando as regras municipais e os locais oficiais de recebimento.

Entre as medidas recomendadas estão a contratação de transportadores e caçambas regularizados, a solicitação de comprovantes da destinação correta dos resíduos e a verificação do destino final do material descartado, evitando que blocos, cerâmicas e restos de alvenaria acabem parando nas ruas e comprometendo a segurança da comunidade.