A tolerância de quem vive nas imediações do Jardim Las Vegas, na região do Parque Continental, chegou ao limite com uma situação revoltante envolvendo uma área verde e uma mina dágua situada bem ao lado do campo de futebol do CRB, na rua Alexandre Grandisoli. A revolta popular ganhou força após dejetos começarem a escorrer livremente pelas calçadas, vindos diretamente de um condomínio residencial localizado logo acima, na altura do terreno vizinho.

A rota do fedor e a degradação ambiental

Antigamente, o cenário era completamente diferente. O espaço contava com água limpa, livre de vegetação excessiva e funcionava como ponto de atração para diversas espécies de pássaros. No entanto, o quadro atual é de pura insalubridade. A água cristalina deu lugar a um líquido fétido, fruto do despejo irregular de águas servidas. Na manhã de um domingo, especificamente em 23 de agosto, a constatação in loco não deixou dúvidas: havia esgoto puro escorrendo pela calçada, além de um evidente assoreamento no canal que separa o condomínio do campo esportivo.

O clássico jogo de empurra-empurra institucional

Questionada sobre o imbróglio, a administração municipal adotou a clássica postura de lavar as mãos e repassar a batata-quente, informando que a gestão das redes coletoras de esgoto, bem como a fiscalização de eventuais vazamentos e irregularidades, cabe exclusivamente à Sabesp.

Acionada pela reportagem, a companhia estadual de saneamento básico alegou ter enviado uma equipe ao endereço na manhã de uma terça-feira, 25 de agosto. No relatório oficial, a empresa cravou que o sistema operava sem falhas ou vazamentos estruturais. Além disso, os técnicos disseram ter inspecionado o córrego local e não encontrado lançamento de dejetos sanitários, mas apontaram a presença marcante de lixo e resíduos sólidos. Para completar, a companhia fez questão de lembrar que a limpeza urbana e a remoção de detritos jogados de qualquer maneira são obrigações da prefeitura.

Verificação posterior e novos questionamentos

Uma nova checagem realizada na quarta-feira, 26 de agosto, mostrou que o fluxo de esgoto sobre a calçada havia cessado, sugerindo um problema pontual e passageiro que pode ter sido sanado pelo próprio condomínio. Ainda assim, um cano continua vertendo água no local, exigindo um parecer técnico definitivo para saber se o fluxo deveria ser direcionado à rede de esgoto ou às galerias de águas pluviais.

Enquanto isso, a área verde continua sofrendo com o assoreamento do canal e clama por uma limpeza urgente, além de maior conscientização por parte dos frequentadores do campo de futebol e moradores. O portal seguirá cobrando os órgãos competentes até que o local recupere o mínimo de dignidade.