Especialistas apontaram a urgência de estabelecer regras mais rígidas para as plataformas digitais e intensificar o monitoramento de materiais gerados por inteligência artificial. O tema foi debatido durante um webinário promovido pela Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras.
Vieses algorítmicos e escolha do usuário
Durante o encontro virtual, uma diretora executiva do Instituto de Referência em Internet e Sociedade apontou que o país precisa de parâmetros regulatórios mínimos. A medida serviria para garantir que o cidadão tenha a liberdade de recusar a entrega de materiais padronizados pelos sistemas.
A especialista também chamou atenção para a necessidade de impedir que as ferramentas de recomendação automática operem com distorções discriminatórias, algo que afeta diretamente a diversidade do que é consumido online.
Falta de preparo para identificar fraudes tecnológicas
A cofundadora de uma plataforma de comunicação independente avaliou que, embora o país conte com uma base legislativa adequada para a área tecnológica, peca na fiscalização efetiva e na preparação da sociedade.
Segundo a debatedora, existe uma grande dificuldade por parte dos cidadãos comuns em reconhecer o que é real e o que foi forjado por sistemas sintéticos. Por isso, defendeu investimentos sólidos em educação midiática para conscientizar a população.
Ameaça aos pleitos e violência direcionada
O uso de recursos sintéticos também foi associado ao agravamento da violência política, especialmente contra minorias. O debate relembrou episódios passados de instabilidade institucional, como o afastamento da ex-presidente Dilma Rousseff, para ilustrar como a disseminação de materiais adulterados e boatos prejudica o debate público.
A avaliação geral do evento é de que os recursos tecnológicos atuais ampliam drasticamente a propagação de desinformação com foco em gênero e raça, exigindo respostas firmes das autoridades competentes.







