A economia global acaba de assistir a um feito impressionante e preocupante: a dívida pública dos Estados Unidos rompeu a barreira histórica de US$ 40 trilhões pela primeira vez. Enquanto os cofres da maior potência do planeta acumulam essa conta astronômica, especialistas apontam que a farra fiscal não veio do nada. Cortes de impostos direcionados aos mais ricos e despesas militares bilionárias ajudaram a empurrar o país para esse abismo financeiro.

Gastos militares e juros fora de controle

Manter uma máquina de guerra que consome cerca de US$ 1 trilhão anualmente tem seu preço. Para piorar, os juros da própria dívida dispararam de forma assustadora. Se em 2021 a fatia paga aos contribuintes foi de US$ 419 bilhões, o montante mais que dobrou e hoje alcança a marca de US$ 1,1 trilhão. A conta subiu puxada pela inflação mundial e pelas incertezas geradas pela política externa da Casa Branca, o famoso risco associado a Donald Trump.

Calote descartado, mas reflexos no Brasil

Apesar do número assustar, analistas econômicos descartam qualquer risco de insolvência a curto prazo. Como os Estados Unidos emitem a própria moeda e o dólar reina como principal reserva do planeta, o país não quebra por vontade própria. Caso o mercado faça corpo mole para comprar os títulos, o Federal Reserve simplesmente entra em ação, repetindo manobras bilionárias de expansão de balanço vistas em 2020.

Ainda assim, o buraco fiscal americano respinga diretamente no Brasil. A tendência é que as taxas de juros brasileiras continuem nas alturas por causa dessa pressão externa. A dívida nas mãos do mercado já soma cerca de US$ 32 trilhões, o equivalente a aproximadamente 100% do PIB americano, patamar próximo ao recorde histórico de 106% registrado em 1946, logo após a Segunda Guerra Mundial.

Previsões furadas e pressões inflacionárias

O ritmo da derrocada financeira pegou até os órgãos oficiais de surpresa. O Escritório de Orçamento do Congresso dos EUA projetava atingir a fatídica marca de US$ 40 trilhões apenas em 2027. Contudo, a realidade atropelou as planilhas: em um intervalo de apenas cinco meses, o endividamento saltou em US$ 1 trilhão.

A perda de arrecadação provocada por desonerações fiscais a ricos, combinada com o encarecimento do petróleo devido aos conflitos armados no Oriente Médio e novas tarifas comerciais, acelerou o processo. No fim das contas, a fatura chegou mais rápido do que o previsto, provando que nem mesmo a superpotência global está imune às próprias escolhas econômicas.