A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, garantindo dois dias de folga, foi aprovada na noite da última quarta-feira (14/10) pelo Senado. Com a mudança na legislação federal, empreendedores de diversos setores precisam avaliar se será necessário ampliar o quadro de pessoal ou reorganizar a operação diária.
O que aconteceu
Especialistas apontam que a adaptação depende diretamente do modelo de cada negócio e do nível de automação da atividade. A diminuição da jornada não resulta obrigatoriamente em aumento de despesas com salários, mas impõe ajustes na gestão para elevar a produtividade por hora trabalhada.
O uso de ferramentas como banco de horas, inteligência artificial, cardápios digitais, sistemas de gestão e automação de atendimento pode reduzir a dependência de mão de obra. No entanto, em setores com alta demanda presencial e funcionamento contínuo, como o comércio e a alimentação, a contratação de novos colaboradores pode ser inevitável.
Especialistas em finanças e gestão empresarial destacam que empresas que operam diariamente enfrentarão uma redução de cerca de quatro horas semanais por trabalhador. Em estimativas gerais, a cada grupo de dez funcionários, pode ser necessária a admissão de mais um colaborador para cobrir a diferença. Além disso, rotinas marcadas por horas extras e faltas constantes podem evidenciar uma carência de pessoal que antes era mascarada pela sobrecarga.
O que fazer
Antes de tomar decisões sobre novas contratações, os especialistas recomendam que o empresário analise quatro questões fundamentais:
1. Mensurar o quanto o negócio depende das horas trabalhadas presencialmente na operação.
2. Avaliar, para empresas não essenciais, o impacto financeiro entre o custo de novos funcionários e a perda de faturamento ao fechar a operação um dia por semana.
3. Analisar a produtividade por hora trabalhada, considerando que funcionários mais descansados podem apresentar melhor desempenho.
4. Calcular os custos totais de uma contratação, incluindo salários, encargos trabalhistas como FGTS e INSS, e benefícios como vale-refeição e plano de saúde.
Apesar do impacto financeiro inicial, a redução da jornada também pode trazer benefícios a longo prazo, como a diminuição da rotatividade de pessoal, a redução de afastamentos por problemas de saúde e a queda na fadiga operacional.






