O programa federal Desenrola Brasil colocou ponto final no prazo definitivo para a renegociação de dívidas em 31 de agosto de 2023. A iniciativa jogou luz sobre a inadimplência, oferecendo condições facilitadas e abatimentos pesados para milhões de pessoas físicas, incluindo os moradores de Guarulhos e de toda a região metropolitana que tentavam limpar o nome nas instituições financeiras.
Balanço bilionário e o fim da prorrogação
A etapa que focava nas famílias de menor renda ganhou uma extensão inicial que empurrou o encerramento para o último dia de agosto de 2023, após ter data original marcada para 2 de agosto daquele ano. O governo federal não abriu margem para novos esticamentos no calendário, fechando o balcão de acordos para a modalidade.
Até o começo da última semana daquele mês, a faixa voltada ao público de menor renda liquidou cerca de 5,03 milhões de débitos. O volume financeiro original dessas contas pendentes acumulava impressionantes R$ 26,33 bilhões, montante que despencou para cerca de R$ 5,27 bilhões após a onda de acordos firmados.
Quem teve direito e quais débitos entraram na dança
Puderam participar da iniciativa os cidadãos com renda mensal de até cinco salários mínimos, patamar que em agosto de 2023 batia em R$ 8.105,00. Além disso, as contas precisavam obedecer a critérios rígidos de origem e cronograma para entrar no pacote de benefícios.
O programa abarcou débitos contraídos até 31 de janeiro de 2026, com atrasos que oscilavam de 91 dias a dois anos. As contas precisavam estar atreladas a bancos participantes, que cruzavam os dados com o Sistema de Informações de Crédito do Banco Central.
O foco recaiu sobre aquelas linhas de crédito famosas por devorar o orçamento com juros nas alturas: o rotativo e o parcelado do cartão de crédito, o cheque especial, além de empréstimos pessoais sem desconto em folha e operações voltadas a consolidar outras dívidas.
Descontos de até 90% e regras para o novo crédito
Os cortes nos valores originais variaram conforme o tipo de operação e o tempo de calote. Para o rotativo do cartão e o cheque especial, os abatimentos chegaram a esmagar 90% da dívida. Já o crédito direto ao consumidor e o parcelamento de cartão viram cortes de até 80% para atrasos superiores a doze meses.
Quando a saída exigia um novo contrato de crédito, o governo impôs travas duras: juros de no máximo 1,99% ao mês, prazo de até 48 meses para quitar, parcela mínima fixada em R$ 50 e teto de R$ 15 mil por beneficiário em cada banco. A primeira parcela podia vencer em até 35 dias.
Como os guarulhenses negociaram e limparam o nome
Sem um portal único do governo para fechar os acordos, os consumidores de Guarulhos precisaram marchar diretamente até os canais dos bancos onde a pendência constava, seja por aplicativo, internet banking, telefone, WhatsApp ou indo fisicamente a uma agência.
Gigantes do setor financeiro participaram da rodada, incluindo Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Santander e Nubank. Vale destacar que a supressão do nome dos cadastros de devedores não era instantânea: nas novas linhas de crédito, a restrição caía assim que o cidadão quitava a primeira parcela do acordo.
Para dar fôlego extra às famílias da cidade, o programa ainda autorizou o uso do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço para amortizar ou liquidar de vez os valores renegociados.







