Moradores de Guarulhos e de todo o mundo precisam redobrar a atenção para as mudanças climáticas globais, conforme alerta um novo levantamento divulgado nesta terça-feira (27). O documento, elaborado pela Organização Meteorológica Mundial (WMO), aponta que o planeta atingiu patamares históricos e sem precedentes na concentração de gases do efeito estufa na atmosfera ao longo de 2025.

O que aconteceu

De acordo com os dados oficiais publicados no relatório, a concentração de dióxido de carbono (CO₂) alcançou a marca de 426,8 partes por milhão (ppm). Esse volume representa um salto de 53% em comparação com os patamares registrados no período pré-industrial. Em relação ao ano anterior, a alta foi de 2,8 ppm, mantendo-se acima da média acumulada na última década, que é de 2,62 ppm por ano, embora o ritmo tenha ficado ligeiramente abaixo do verificado em 2024 (3,6 ppm).

O estudo também detalha o comportamento de outros elementos poluentes nocivos ao clima. O metano (CH₄) chegou a 1.948 partes por bilhão (ppb), registrando um acréscimo de 6 ppb frente a 2024. Já o óxido nitroso (N₂O) atingiu 339,1 ppb, subindo 1,1 ppb no mesmo comparativo. Os especialistas reforçam que, apesar de sua menor presença na atmosfera, o óxido nitroso possui um potencial de aquecimento global cerca de 270 vezes mais forte do que o CO₂.

Outro ponto abordado pelo documento é a queda na presença de clorofluorcarbonos (CFCs), substâncias historicamente conhecidas por prejudicar a camada de ozônio e intensificar o calor na atmosfera. Em contrapartida, gases halogenados substitutos, a exemplo dos hidroclorofluorcarbonos (HCFCs) e hidrofluorcarbonos (HFCs), seguem em trajetória de alta. No caso do hexafluoreto de enxofre (SF₆), amplamente utilizado na indústria química, os registros mostram que a concentração triplicou desde a metade da década de 1990.

Por fim, o relatório chama a atenção para o gás hidrogênio (H₂). Embora seja amplamente promovido como uma alternativa energética limpa, o vazamento desse elemento gera preocupações ambientais. O gás interage com as moléculas de hidroxilas (OH), que atuam na limpeza natural da atmosfera, reduzindo a capacidade delas de neutralizar outros compostos poluentes, a exemplo do próprio metano.