A Prefeitura de Guarulhos movimentou mais de 6 mil estudantes e profissionais em uma ofensiva educativa contra a dengue realizada entre agosto e setembro de 2023. A estratégia passou longe de ser apenas mais uma palestra burocrática: o plano usou números frios de Avaliações de Densidade Larvária, colhidas em maio e julho, para mirar cirurgicamente nas regiões mais críticas mapeadas pelo Centro de Controle de Zoonoses.

Com o apoio da Secretaria de Educação, 16 unidades de ensino e instituições comunitárias — incluindo as EPGs Castro Alves e Zumbi dos Palmares — viraram quartéis-generais de conscientização. A ideia fixa da gestão é transformar cada aluno e educador em um multiplicador implacável de práticas preventivas, desafiando o avanço do Aedes aegypti em solo guarulhense.

Teatro e maquetes para ensinar crianças a caçar o mosquito

Para prender a atenção da turminha da educação infantil, a abordagem foi totalmente lúdica. O espetáculo teatral “Belinha contra a Dengue” traduziu o perigo do vetor em linguagem infantil, enquanto a garotada também recebia noções básicas sobre zika e chikungunya, adaptadas para a idade. Uma tropa de 13 profissionais, entre agentes de endemias e técnicos do CCZ, conduziu a maratona.

Já no ensino fundamental, a molecada encarou estações interativas para dissecar o ciclo de vida do inseto e participou de um jogo de acertos e erros sobre hábitos domésticos que facilitam a proliferação de criadouros. A cereja do bolo foi uma maquete realista do CCZ que simulava uma residência, permitindo aos estudantes apontar, com o dedo, cada armadilha de água parada que costuma passar despercebida na rotina das famílias.

Esforço coletivo diante dos números da doença

O trabalho de formiguinha nas salas de aula ganha urgência diante do boletim epidemiológico: Guarulhos soma atualmente 354 casos confirmados de dengue. É o retrato exato de que a prevenção não pode ficar restrita aos muros escolares, mas precisa entrar na rotina das casas para estancar o avanço do mosquito.

A aposta da administração municipal é clara: ao blindar a cabeça das crianças e dos profissionais da educação, cria-se uma rede de vigilância capilar que alcança os bairros mais vulneráveis. Afinal, controlar o vetor em uma metrópole desse porte exige mais do que inseticida; exige mudar o comportamento de quem vive nela.