Enquanto algumas pessoas passam por campanhas de imunização sem qualquer incômodo, outras enfrentam dias de dor local, febre e fadiga intensa. Um levantamento científico recente buscou compreender os mecanismos biológicos por trás dessas diferenças individuais nas reações aos imunizantes.
O que aconteceu
O estudo foi iniciado em 2021 com foco nas vacinas de mRNA contra a Covid-19, avaliando 51 voluntários saudáveis que receberam os imunizantes da Moderna ou da Pfizer-BioNTech. Os participantes foram monitorados durante sete dias para registro de sintomas como dor no local da injeção, dores musculares, febre e fadiga.
Os dados indicaram que essas reações costumam ser mais frequentes após a aplicação da segunda dose. Análises sanguíneas apontaram uma correlação direta entre os sintomas e a atividade de um sistema antiviral do sistema imunológico inato conhecido como interferon.
Quanto mais ativa for a resposta natural de interferon de uma pessoa — mesmo antes da vacinação —, mais pronunciadas tendem a ser as suas reações à vacina.
Os cientistas também observaram que idosos tendem a apresentar menos reações devido ao declínio natural da função imunológica associado à idade. Além disso, experimentos complementares indicaram que o recrutamento de glóbulos brancos chamados monócitos para o local da aplicação pode intensificar a inflamação após a segunda dose, embora esse mecanismo ainda precise de confirmação em humanos.
O que fazer
Especialistas envolvidos na pesquisa reforçam que a ausência de reações adversas não compromete a proteção gerada pelo imunizante. Portanto, a intensidade ou a falta de efeitos colaterais não deve ser utilizada como parâmetro para medir a eficácia da vacina.







