Moradores que acompanham as discussões sobre saúde pública devem ficar atentos às análises econômicas recentes sobre a possível inclusão de canetas para emagrecimento da classe GLP-1, como a semaglutida, no Sistema Único de Saúde. Relatório divulgado pelo Morgan Stanley aponta que a iniciativa enfrenta um grande impasse entre a necessidade de atender pacientes com obesidade, doenças cardiovasculares e candidatos à cirurgia bariátrica e a viabilidade fiscal do governo federal.
O que aconteceu
As discussões ganharam força após declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do Ministério da Saúde sobre a possibilidade de ofertar esses medicamentos na rede pública para grupos específicos. No entanto, até o momento, o governo não divulgou nenhum cronograma oficial nem regras definitivas para a implementação do programa.
De acordo com os cálculos da instituição financeira, os custos de um programa nacional variam drasticamente conforme o alcance. Um atendimento restrito apenas a pacientes com diabetes tipo 2 exigiria cerca de R$ 54,8 bilhões por ano, utilizando o menor preço doméstico identificado para a semaglutida. Caso a distribuição seja expandida para pessoas com diabetes e obesidade, o valor salta para R$ 154,1 bilhões anuais. Em um cenário mais amplo, que inclua pacientes com sobrepeso e uso discricionário, o custo chegaria a R$ 343,6 bilhões por ano.
Para efeito de comparação, esses montantes equivaleriam a aproximadamente 20%, 57% e 126%, respectivamente, do orçamento federal de saúde previsto para o ano de 2027, estimado em R$ 272,2 bilhões. Os analistas avaliam que, devido a essas limitações orçamentárias, um modelo fiscalmente sustentável exigiria critérios rígidos de elegibilidade, resultando em um número reduzido de beneficiários e gerando apenas um reflexo modesto sobre o volume de vendas das grandes redes de farmácias.
Cenário para o setor
O estudo também avaliou o desempenho de grandes redes do varejo farmacêutico nacional e concluiu que, mesmo em cenários extremos sem a comercialização da semaglutida a partir do terceiro trimestre de 2026, as empresas do setor continuariam apresentando expansão gradual ao longo da próxima década. A projeção aponta crescimento sustentado impulsionado pela chegada de novas moléculas, como a tirzepatida, e pelo avanço estrutural da demanda por medicamentos no país.







