Esquecer onde guardou as chaves, cruzar a porta de um cômodo sem saber o motivo ou perder a concentração no meio de uma leitura são situações que viraram rotina para muita gente. Contudo, profissionais da saúde esclarecem que essa sensação de que a mente está falhando nem sempre aponta para uma disfunção cerebral ou perda cognitiva. Na maior parte das ocorrências, o verdadeiro vilão é a desatenção potencializada pelo uso abusivo de telas.

Para que o cérebro consiga fixar um dado novo, a atenção plena é um pré-requisito indispensável. Em um cotidiano tomado por alertas sonoros, mensagens instantâneas e interrupções constantes no smartphone, o raciocínio se fragmenta. Dessa forma, os acontecimentos simplesmente não são arquivados de maneira correta pela mente.

A interferência das redes sociais no foco diário

Um levantamento divulgado em junho de 2026 pela Universidade Camilo José Cela, na Espanha, apontou que indivíduos entre 18 e 35 anos que consomem redes sociais em excesso enfrentam mais episódios de lapsos de memória cotidianos. Outro estudo análogo, conduzido pela Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, indicou que nos períodos em que os indivíduos dedicam mais tempo a essas plataformas, a incidência de esquecimentos cresce tanto no próprio dia quanto no seguinte.

Não significa necessariamente uma lesão de memória, mas o uso excessivo de redes e o excesso de notificações dificultam a capacidade de manter o foco. Se não prestamos atenção ao que acontece, a informação nem chega a ser registrada

Como driblar os esquecimentos na rotina

Com o objetivo de resgatar a concentração e minimizar a impressão de esquecimento frequente, profissionais da medicina sugerem ajustes práticos no comportamento diário. O primeiro passo envolve priorizar o sono, mantendo horários fixos para deitar e levantar, abolindo o uso de dispositivos eletrônicos na cama e cortando o consumo de cafeína no período noturno, visto que o descanso adequado é vital para fixar o aprendizado.

Além disso, é fundamental combater a realização simultânea de várias atividades, focando em apenas uma incumbência de cada vez para evitar a sobrecarga mental gerada pela troca constante de abas e aplicativos. Por fim, afastar o celular ou deixá-lo no modo silencioso em outro ambiente durante o trabalho ou estudo ajuda a eliminar as distrações.