O mercado nacional de tecnologia e automação de processos avança com soluções voltadas para a segurança da informação, identidade digital e combate a fraudes. A trajetória de um empreendedor francês radicado no Brasil desde 1982 ilustra a evolução desse setor, que começou com a criação de um sistema de controle de estoque e passou por marcos importantes da internet brasileira.

O que aconteceu

A história da empresa Most começou a tomar forma após a criação de um serviço de internet gratuita na década de 1990, que alcançou cerca de 3 milhões de usuários em um cenário onde o país contava com aproximadamente 4,5 milhões de internautas. Pouco tempo depois, o negócio foi adquirido pela Telemar.

Em 2000, o fundador iniciou uma nova fase ao lado de um sócio, criando a solução mobile que mais tarde se tornaria a Most. Inicialmente voltada para a indústria atacadista e laboratórios farmacêuticos, a companhia encontrou grande espaço no setor financeiro.

Um dos projetos de destaque foi a digitalização da compensação de cheques, substituindo o transporte físico de documentos por avião entre cidades brasileiras pela captura e processamento por imagem nas próprias agências. Em 2011, a empresa firmou um grande contrato com o Bradesco, seguido por parcerias com outras grandes instituições financeiras, como o Itaú.

Atualmente, 26 anos após sua fundação, a companhia atende cerca de 125 instituições bancárias, além de seguradoras e locadoras de veículos. O portfólio inclui reconhecimento facial, prova de vida, validação de dados e Processamento Inteligente de Documentos (IDP), utilizando inteligência artificial para interpretar documentos pelo contexto e por elementos visuais.

Nós temos ferramentas que permitem pensar o que os usuários, os empresários, desejam e precisam. Hoje existem recursos pra isso, mas antes isso era impensável

A empresa também iniciou planos de internacionalização, com foco em expandir sua atuação para Estados Unidos, Europa e América Latina, contando com produtos preparados para operar em mais de 100 países e reconhecer milhares de tipos de documentos.

Por que não apresentar soluções nossas para fora? Não vejo como impossível. Talvez em 2028 a gente comece. Nosso produto é pronto para operar em 110 países e temos uma particularidade que é ter ferramentas que reconhecem mais de 4 mil tipos de documentos.