O Tesouro Nacional mexeu nas engrenagens da Dívida Pública Federal para dar mais espaço aos papéis atrelados à taxa básica de economia. Com a alteração oficializada no documento revisado em novembro de 2023, o governo federal projeta que a fatia corrigida pelos juros fundamentais alcance entre 49% e 53% do total da dívida até o encerramento de 2026.

Mudanças na composição e os reflexos nos bolsos

A guinada ocorre em meio a um cenário de juros na casa de 14% ao ano, o que atrai investidores ávidos por retornos maiores. Enquanto os papéis atrelados à Selic ganham tração — subindo da faixa anterior de 46% a 50% —, as demais modalidades perdem espaço. Os títulos corrigidos pela inflação recuaram para o intervalo de 21% a 25%, e a parcela prefixada encolheu para 20% a 24%. A única que permaneceu intacta foi a dívida cambial, estacionada entre 3% e 7%.

Impactos diretos no dia a dia regional

Embora a meta para o montante total da dívida continue inalterada entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões para 2026, a preferência por pagar mais juros para rolar o débito afeta diretamente a ponta final da economia. O encarecimento do crédito federal reverbera na capacidade de investimento e nas condições de financiamento para empresas e consumidores em Guarulhos e em toda a Grande São Paulo, complicando o cenário de quem precisa tomar dinheiro emprestado.

O prazo médio da dívida pública se manteve estável na faixa de 3,8 a 4,2 anos, enquanto o mercado financeiro absorve novidades como o Tesouro Reserva, formato que estimulou ainda mais o apetite pelos papéis atrelados à Selic em detrimento dos prefixados.