o brasil registrou 525 mil crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos em ocupações consideradas entre as piores formas de trabalho infantil no país em 2025. os dados fazem parte da pesquisa pnad contínua, divulgada pelo ibge. embora o patamar represente o menor nível da série histórica iniciada em 2016, a proporção ainda acende um alerta importante sobre a exposição de menores a atividades de alto risco para a saúde, o desenvolvimento e a escolaridade.

o que aconteceu

a pesquisa aponta que essas ocupações perigosas abrangeram 36,2% de todas as crianças e adolescentes que exerciam atividades econômicas no país em 2025. o contingente total caiu 6,3% em relação a 2024, quando eram 560 mil. do total registrado no último ano, os meninos representavam 72,6%, enquanto as crianças e os adolescentes pretos ou pardos correspondiam a 68,3%.

o levantamento utiliza a lista tip, que cataloga atividades perigosas e prejudiciais. entre os exemplos mapeados estão a produção agrícola de fumo, algodão e cana-de-açúcar, a extração de minerais, o manuseio de explosivos e a operação de máquinas agrícolas motorizadas. a maior proporção de incidência foi encontrada entre os trabalhadores mais novos: 72,2% das crianças de 5 a 13 anos que trabalhavam estavam nessas condições. em números absolutos, contudo, os adolescentes de 16 e 17 anos foram maioria, concentrando mais de 60% dos casos.

o que diz a legislação

no brasil, qualquer forma de trabalho realizada por menores que comprometa a saúde e a educação é proibida por lei. existem regras específicas por faixa etária: a atividade laboral é totalmente vedada até os 13 anos; dos 14 aos 15 anos, o adolescente pode atuar exclusivamente na condição de aprendiz; e, entre 16 e 17 anos, o trabalho é permitido apenas com carteira assinada, sendo rigorosamente proibidas ocupações irregulares, noturnas ou perigosas.