a arrecadação do imposto de renda incidente sobre rendimentos com dividendos atingiu r$ 4,029 bilhões até o mês de agosto de 2026, conforme dados divulgados pela receita federal. diante de um resultado considerado abaixo das expectativas iniciais, o fisco promoveu uma nova redução na projeção de arrecadação para o fechamento do ano, ajustando o valor de r$ 17,2 bilhões para r$ 10,5 bilhões.

o que aconteceu

a estimativa inicial estipulada pelo governo era de r$ 29 bilhões. a alíquota de 10% de imposto de renda retido na fonte passou a incidir sobre ganhos decorrentes de lucros e dividendos superiores a r$ 50 mil mensais para residentes no país e no exterior, com vigência iniciada em janeiro. a medida foi criada para compensar a renúncia fiscal gerada pela ampliação da isenção do imposto de renda para pessoas físicas com rendimentos de até r$ 5 mil.

representantes da receita federal explicaram que o desempenho da arrecadação foi influenciado pela versão final da norma, que atingiu apenas lucros e dividendos posteriores a 31 de dezembro de 2025, além de decisões judiciais que permitiram a acomodação dos contribuintes. por outro lado, analistas de mercado apontam que o cenário global adverso e o planejamento tributário das empresas contribuíram para uma postura mais cautelosa na distribuição de lucros, resultando em retenção de caixa.

impacto no orçamento

o tribunal de contas da união já havia emitido alertas sobre os riscos de manter previsões integrais de arrecadação com essa tributação na execução orçamentária. especialistas avaliam que, embora haja margem de manobra no cenário fiscal atual, o principal desafio para a gestão pública recairá sobre o comportamento da arrecadação nos próximos anos.