O avanço da inteligência artificial e da automação nas empresas brasileiras está ampliando uma demanda que vai além dos softwares: a necessidade de infraestrutura para processar dados, garantir conectividade e assegurar o fornecimento de energia. O cenário nacional demonstra que a modernização tecnológica nem sempre acompanha a disponibilidade de infraestrutura para colocar os sistemas em funcionamento.

O que aconteceu

A pressão pelo uso de novas tecnologias já aparece no planejamento energético brasileiro. Segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o consumo de eletricidade no país deverá crescer, em média, 3,4% ao ano até 2036, alcançando 979 terawatts-hora (TWh). A projeção faz parte do Plano Decenal de Expansão de Energia 2036 e considera a expansão dos data centers e da eletrificação.

O desafio afeta setores tradicionais como o agronegócio, a indústria e a mineração, onde projetos de automação exigem investimentos simultâneos em energia, segurança e conectividade. A dificuldade está em integrar diferentes soluções de forma técnica e financeiramente viável.

Durante muito tempo, o mercado de distribuição de tecnologia trabalhou com uma lógica muito concentrada na venda de equipamentos. Mas uma empresa que precisa modernizar sua operação não resolve o problema apenas comprando um produto. Ela precisa de infraestrutura, integração e conhecimento técnico para que aquela tecnologia funcione dentro da realidade do negócio

No setor rural, por exemplo, propriedades localizadas em regiões com limitações elétricas enfrentam dificuldades para instalar sistemas como irrigação de alta potência. Uma alternativa apontada pelo mercado é o uso de sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS), que permitem acumular eletricidade e gerenciar o consumo. A tecnologia também auxilia indústrias que buscam reduzir a dependência de geradores a diesel e ampliar a automação.

A demanda por integração também ocorre em data centers, que reúnem processamento, sistemas de rede, climatização e distribuição de energia. Além disso, o videomonitoramento com inteligência artificial embarcada tem ganhado espaço para identificar movimentações em perímetros extensos de indústrias, propriedades rurais e subestações de energia.

Em muitas operações, a limitação não está na capacidade de produzir mais, mas na infraestrutura necessária para isso. Um produtor pode ter terra, água e condições de ampliar a produção, mas não conseguir instalar irrigação porque a rede elétrica não entrega a potência de que ele precisa. O armazenamento de energia, associado a outras tecnologias, pode mudar essa equação
O Brasil tem oportunidades importantes em automação, energia e infraestrutura digital. O desafio é fazer essas tecnologias chegarem às empresas de uma forma que resolva problemas de produtividade e competitividade. Não basta trazer equipamentos de outros mercados. É preciso compreender onde eles podem ser aplicados e como integrar as soluções