As companhias acumulam um volume expressivo de dados corporativos, mas a dispersão dessas informações em diferentes sistemas ainda representa um obstáculo para a adoção eficiente de ferramentas de inteligência artificial nos processos de compras. O cenário exige atenção das organizações para evitar falhas em negociações e análises estratégicas.

O que aconteceu

Levantamentos do setor indicam que, embora a prioridade de investimento em tecnologias de dados seja alta entre os líderes de procurement — com 72% apontando a área como foco e 68% mirando em inteligência artificial generativa —, a aplicação prática esbarra em dificuldades estruturais. Dados da consultoria Gartner apontam que a tecnologia entrou em uma fase de desilusão devido a problemas de integração e qualidade dos dados.

Na rotina corporativa, a fragmentação se manifesta quando requisições, cotações, pedidos, contratos e cadastros de fornecedores ficam isolados em plataformas distintas. Essa divisão gera inconsistências, como cadastros duplicados de um mesmo fornecedor e divergências de números entre diferentes setores da mesma organização.

Existe um paradoxo em muitas empresas: elas têm dados demais e informação de menos. O registro existe, mas está em um sistema, a referência está em outro e o contrato está em uma pasta. A inteligência artificial não resolve sozinha esse problema estrutural.

Outro estudo, o 2026 Procurement Key Issues do The Hackett Group, aponta que 43% das organizações buscam ativamente implantar inteligência artificial na área de compras, mas a escala das iniciativas permanece limitada. Em paralelo, a Global CPO Survey 2025, da Deloitte, indica que empresas com maior maturidade tecnológica e equipes preparadas obtêm um retorno médio de 2,8 vezes sobre investimentos em IA generativa, em comparação a 1,6 vez das demais.

O que fazer

Especialistas apontam que o caminho para superar essas barreiras envolve três frentes principais: integrar as etapas da jornada de compras, unificar o cadastro de fornecedores e estabelecer regras claras de governança sobre o acesso às informações. O objetivo é garantir que todas as etapas estejam conectadas para fornecer contexto adequado às ferramentas tecnológicas.