Moradores que investem em fundos de infraestrutura, conhecidos como FI-Infra, precisam redobrar a atenção com o cenário econômico atual. O mês de setembro registrou um dos piores períodos históricos para essas aplicações, especialmente para os fundos conhecidos como hedgeados, que trocam a variação da inflação pela taxa CDI. O movimento foi marcado por perdas na maioria das carteiras e uma aceleração expressiva nos pedidos de resgate por parte dos cotistas.
O que aconteceu
De acordo com levantamentos de gestoras especializadas no setor, os fundos que utilizam proteção contra juros sofreram quedas acentuadas em setembro. O prêmio pago pelas debêntures incentivadas acima dos títulos públicos subiu cerca de 0,40 ponto percentual no período. Esse comportamento ocorre porque, quando o prêmio de risco aumenta, o preço dos papéis negociados no mercado secundário acaba caindo.
Os dados do setor mostram que os fundos de infraestrutura acumularam saídas líquidas de R$ 3,6 bilhões em setembro, superando o volume de R$ 2,6 bilhões registrado em agosto. A categoria também ficou abaixo do rendimento do CDI pelo terceiro mês consecutivo. Especialistas apontam que a cautela dos investidores aumentou após episódios recentes de estresse no mercado de crédito e mudanças na postura de compradores institucionais.
Outro fator que pressionou os fundos foi a necessidade de venda de ativos para honrar os resgates solicitados. Como os FI-Infra precisam manter ao menos 85% do patrimônio em ativos incentivados, gestores frequentemente precisam negociar papéis no mercado. Em cenários de alta volatilidade, essa dinâmica pode gerar perdas adicionais e deixar as carteiras mais concentradas em ativos de menor liquidez.






