estudo econômico recente detalha o impacto financeiro que a alteração do salário mínimo e do bolsa família trará para as contas públicas do país em um horizonte de doze meses. os cálculos dimensionam o peso fiscal sobre os cofres do governo federal.
o que aconteceu
de acordo com o levantamento elaborado pelo economista josé alfaix, da rio Bravo, a variação do piso salarial nacional trará um impacto de r$ 54,6 bilhões em doze meses, o equivalente a 0,37% do produto interno bruto (PIB). o montante representa um acréscimo de aproximadamente 5% nas despesas previdenciárias globais, abrangendo aposentadorias, pensões, auxílios e o benefício de prestação continuada (BPC), com a projeção de elevação do piso de r$ 1.621 para r$ 1.741 em 2027.
no âmbito do regime geral de previdência social (RGPS), a pressão sobre o orçamento concentra-se na base da pirâmide de pagamentos. dos 41,6 milhões de benefícios geridos pelo governo, 68,4%, ou cerca de 28,3 milhões de brasileiros, recebem exatamente o valor de um piso salarial, gerando um custo extra de r$ 44,2 bilhões ao INSS. já o BPC, programa assistencial voltado a idosos com 65 anos ou mais e pessoas com deficiência, absorverá uma despesa adicional de r$ 10,4 bilhões, visto que seu piso e teto seguem atrelados estritamente ao salário mínimo.
por outro lado, a reestruturação do bolsa família apresentará um peso fiscal menor aos cofres públicos. o governo programou a elevação do piso mínimo do benefício de r$ 600 para r$ 691 a partir de outubro de 2026, gerando um impacto de r$ 23,1 bilhões no período de um ano, o que corresponde a cerca de 0,18% do PIB. o nordeste surge como a região mais afetada por concentrar quase metade das 18,9 milhões de famílias atendidas no território nacional. o reajuste representa uma recomposição inflacionária pelo inpc após um período de congelamento.
o impacto do bolsa família foi de 0,4% para 1,4% do PIB
o estudo aponta ainda que, embora o programa social seja fundamental para a parcela vulnerável da população, há reflexos na formalização do mercado de trabalho. a análise indica que a manutenção do auxílio pode incentivar beneficiários a permanecerem na informalidade para não perderem o direito ao recurso, suprimindo o recolhimento de contribuições previdenciárias essenciais para a sustentabilidade da previdência social.






