A digitalização de requisições, cotações e contratos nas últimas duas décadas gerou um volume expressivo de dados corporativos armazenados em sistemas. Agora, a forma como os profissionais da área de compras acessam essas informações passa por uma mudança significativa com o avanço da inteligência artificial, permitindo consultas diretas por meio de linguagem natural em vez do uso tradicional de filtros e relatórios.

O que aconteceu

De acordo com o estudo 2026 Procurement Key Issues, elaborado pela consultoria The Hackett Group, 43% das organizações pesquisadas buscam ativamente implantar inteligência artificial no setor de compras, o que representa quase o dobro do registrado no período anterior. A tecnologia passou a integrar as principais prioridades da função em um cenário de alta na carga de trabalho e redução de equipes e orçamentos.

A consulta por linguagem natural inverte a lógica operacional tradicional. Em vez de navegar por módulos para encontrar o status de uma requisição ou o volume comprado de uma categoria, o profissional faz a pergunta diretamente à plataforma. O ganho mais imediato ocorre nas consultas rotineiras que costumam consumir tempo das equipes e gerar demandas recorrentes de outros departamentos.

Durante muito tempo, o profissional de Compras precisou saber onde a informação estava para conseguir usá-la. A consulta em linguagem natural inverte essa lógica: o ponto de partida passa a ser a dúvida de negócio, e não o caminho dentro do sistema

Pesquisas internacionais também apontam os impactos dessa transformação. A Global CPO Survey 2025, da Deloitte, indica que organizações mais maduras digitalmente alcançam retorno médio de 2,8 vezes sobre investimentos em IA generativa, comparado a 1,6 vez das demais. Contudo, especialistas alertam que o sucesso da tecnologia depende de uma base sólida de dados integrados, privacidade e governança rigorosa, especialmente no que tange ao acesso a preços negociados e condições contratuais.