O planejamento financeiro de longo prazo para crianças e adolescentes tem ganhado espaço no país, com dezenas de milhares de jovens com recursos aplicados em ativos de renda variável, conforme dados levantados pela operadora da bolsa brasileira B3. O crescimento expressivo na participação de menores de idade no mercado de capitais reflete uma mudança na forma como as famílias estruturam a reserva para o futuro dos filhos, deixando modelos tradicionais de lado para buscar alternativas com foco na acumulação patrimonial.

O que aconteceu

Levantamentos recentes indicam que mais de 60 mil crianças e adolescentes de até 17 anos mantêm investimentos na bolsa, somando bilhões de reais em ativos como ações, fundos imobiliários e fundos de índice. Diante desse cenário, especialistas do mercado financeiro realizaram simulações para apontar o valor necessário de aportes mensais para que um recém-nascido atinja a marca de R$ 100 mil ao completar 18 anos.

Os cálculos variam conforme a rentabilidade projetada. Utilizando uma taxa conservadora de 8% ao ano já líquida de Imposto de Renda, o valor inicial necessário seria de aproximadamente R$ 215 mensais desde o nascimento. A escolha por uma taxa prudente busca evitar distorções causadas por flutuações de juros e inflação ao longo de quase duas décadas. Em outro cenário, com uma rentabilidade hipotética de 6% ao ano livre de custos e impostos, a aplicação mensal necessária sobe para cerca de R$ 263.

Prefiro uma taxa conservadora. A Selic hoje está alta, mas em 18 anos os juros passam por vários ciclos, e fazer a conta com a taxa atual superestima o resultado.

Os especialistas ressaltam que o fator tempo é determinante no processo. Enquanto começar no nascimento permite que os juros compostos atuem a favor ao longo de 216 meses, adiar o início da aplicação altera drasticamente o esforço financeiro exigido. Para quem inicia o plano aos cinco anos, o aporte mensal sobe para a faixa de R$ 375 a R$ 430. Caso a decisão ocorra aos dez anos, o valor pula para aproximadamente R$ 755 a R$ 820. Para quem deixa para iniciar aos 15 anos, tendo apenas três anos restantes, a exigência salta para patamares próximos de R$ 2.500 mensais.

Outro ponto destacado nas projeções é o impacto da inflação sobre o poder de compra futuro. Com uma inflação estimada em 4% ao ano, o montante necessário para equiparar o poder de compra de R$ 100 mil atuais pode ultrapassar a marca de R$ 200 mil ao final do período, exigindo reajustes periódicos nos valores investidos para garantir que objetivos como a formação educacional ou o início da vida adulta sejam devidamente contemplados.

O que fazer

Especialistas recomendam priorizar a disciplina e a constância nos aportes, integrando os investimentos ao orçamento familiar regular. A composição da carteira pode incluir tanto renda fixa quanto renda variável, permitindo ajustes na proporção de risco à medida que a idade limite do beneficiário se aproxima.