Um espaço voltado à união, troca de experiências e criação coletiva reúne mulheres de diferentes países em Guarulhos. A iniciativa chamada Fio Migrante conta com a participação de 23 artistas com idades entre 27 e 65 anos, além de quatro integrantes na organização, oferecendo suporte e capacitação para moradoras vindas de nações como Bolívia, Venezuela, Haiti, Afeganistão, Palestina, Nigéria, Argentina e Irã.

O que aconteceu

O projeto surgiu a partir de pesquisas acadêmicas focadas nas relações entre migração, maternidade e arte. Os encontros iniciais consistiram em cursos gratuitos de bordado e autocuidado, contando com suporte de instituições de ensino parceiras e do Instituto Olívia Jardim, que forneciam auxílio para transporte das participantes. Com o tempo, a dinâmica semanal passou a integrar exercícios corporais, massagem, conversa, dança e canto junto à técnica do bordado.

A barreira do idioma é superada com o auxílio das próprias integrantes, que atuam na tradução para diferentes línguas, promovendo o acolhimento de refugiadas. A transformação em um empreendimento coletivo ocorreu após pedido das próprias mulheres, seis meses após a fundação. Atualmente, o grupo comercializa peças como camisas, ecobags, marcadores de livros, quadros e pequenos bordados decorativos.

A gente se juntou, a partir dessa ideia de estabelecer espaços onde a gente pudesse contar as nossas histórias, ter um espaço de diálogo, de escuta, mas também inspirado pela arte têxtil

O modelo de negócios segue os princípios do comércio justo, destinando a maior parte da receita das vendas diretamente para a artesã responsável pela confecção. Os itens menores custam a partir de R$ 30, enquanto os trabalhos mais elaborados saem por valores a partir de R$ 60. As comercializações ocorrem por meio do Instagram e do WhatsApp, com envio de catálogos e participação em feiras e eventos, como a Feira do Empreendedor do Sebrae.

Além do retorno financeiro, a iniciativa gera impactos positivos na autoestima e na integração social das participantes, ajudando no aprendizado da língua portuguesa e reduzindo o isolamento de mulheres idosas. Para a próxima fase, o coletivo foi contemplado por edital da Lei Aldir Blanc para desenvolver uma coleção autoral conceitual com previsão de lançamento entre agosto e setembro de 2027, além da produção de um curta-metragem documental sobre a trajetória do grupo.

Queremos mostrar que a gente traz beleza, cultura e toda a nossa bagagem de conhecimentos para os lugares onde estamos. Isso precisa ser valorizado. Queremos que os nossos produtos também sejam uma espécie de embaixadores dessa forma de pensar