O cenário econômico nacional registra um patamar preocupante para o setor empresarial, exigindo atenção rigorosa dos gestores quanto à saúde financeira de seus negócios. Indicadores divulgados pela Serasa Experian apontam que o país alcançou a marca de 9,2 milhões de empresas inadimplentes em julho de 2026, configurando o maior patamar da série histórica. O volume total acumulado em dívidas negativadas chegou a R$ 238,6 bilhões, distribuídos em 67,2 milhões de contas, com uma média de 7,3 compromissos negativados por CNPJ.

O boletim econômico mais recente reforça que o crédito continua caro e a atividade econômica apresenta sinais de desaceleração, impactando diretamente o fluxo de caixa das companhias que realizam vendas a prazo.

O que aconteceu

A situação afeta de maneira expressiva as micro e pequenas empresas, que representam 8,7 milhões dos CNPJs inadimplentes registrados em julho, acumulando um montante de R$ 206 bilhões em dívidas. Especialistas apontam que olhar apenas para o índice nacional não é suficiente para a segurança financeira de um negócio, sendo indispensável avaliar o risco específico dentro da própria carteira de clientes.

O impacto financeiro ocorre porque faturamento e disponibilidade de caixa são conceitos distintos. Enquanto despesas como salários, impostos, fornecedores e aluguel possuem prazos fixos para quitação, a venda a prazo só se converte efetivamente em recursos disponíveis quando o cliente realiza o pagamento. O aumento nos atrasos gera um descasamento entre as entradas e saídas de capital, forçando o uso de reservas, capital de giro ou linhas de crédito caras que comprometem as margens de lucro.

Como se proteger

Para mitigar os riscos e evitar que a inadimplência se torne um problema estrutural, gestores e CFOs devem adotar medidas preventivas antes do fechamento do exercício anual. Entre as recomendações essenciais estão o acompanhamento rigoroso da evolução mensal do índice de inadimplência e a análise detalhada do tempo de atraso dos títulos vencidos, conhecido como aging.

Ferramentas de diagnóstico financeiro e de avaliação de risco de crédito auxiliam na leitura objetiva da carteira, permitindo mensurar o custo real dos atrasos em valores monetários e priorizar ações de cobrança e prevenção antes que o capital fique imobilizado.