Moradores que investem na bolsa e em ativos de renda fixa devem redobrar a atenção sobre o mercado financeiro nacional. A disparada nas taxas dos títulos públicos atrelados à inflação, registrada após o período eleitoral, elevou de forma expressiva o rendimento de aplicações privadas que contam com isenção de Imposto de Renda, como debêntures de infraestrutura, Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs).
O que aconteceu
Com os títulos públicos indexados ao IPCA pagando taxas elevadas acima da inflação, debêntures de longo prazo e de baixo risco passaram a oferecer retornos expressivos sem a incidência tributária. Levantamento realizado pela consultoria Vitrify com dados da C2P mostra que a mediana das taxas para 205 papéis indexados ao IPCA oscilou nas últimas semanas, batendo 8,92% ao ano acima da inflação em uma quinta-feira recente.
Especialistas apontam que a reação das taxas dos papéis privados no mercado secundário ocorreu de forma mais lenta em comparação ao referencial do Tesouro, provocando variações nos spreads. Nas debêntures de infraestrutura, a taxa mediana encerrou um dos pregões em 8,25% ao ano. Nos CRIs, os índices terminaram em 9,26%, enquanto os CRAs alcançaram taxas de 12,17%, sempre considerando ativos isentos de tributação. Os papéis prefixados também registraram alta acentuada, com medianas alcançando 17,11% e CRAs prefixados chegando a 18,93%.
O movimento de alta foi impulsionado por dois fatores principais no mercado pós-eleição: a entrada de gestoras de patrimônio e tesourarias de bancos em busca de taxas nominais elevadas, e especulações sobre possíveis mudanças na tributação desses investimentos pelo governo, o que gerou corrida por títulos já emitidos.
Temos papéis de empresas de classificação de baixo risco, triplo A, como Sabesp, Cteep, com taxas de 0,10 ponto percentual acima das NTN-B e sem imposto, são taxas grotescas
O que fazer
Apesar dos rendimentos atrativos, especialistas recomendam cautela aos investidores. O setor de fundos de debêntures incentivadas tem apresentado saques recorrentes, o que pode forçar gestores a venderem ativos para honrar resgates. Essa dinâmica pode elevar ainda mais o spread e gerar perdas temporárias para quem já investiu. A recomendação é avaliar o cenário com cautela antes de novas alocações no curto prazo.






