Um levantamento divulgado nesta sexta-feira, 16, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que cerca de 1,5 milhão de crianças e adolescentes brasileiros estavam em situação de trabalho infantil em 2025 no país. O contingente totaliza 1,499 milhão de pessoas e representa a menor marca da série histórica iniciada em 2016.
O que aconteceu
O total registrado corresponde a 4,0% da população de 5 a 17 anos do Brasil, que soma 37,8 milhões de jovens, configurando também a menor taxa em quase uma década. Em comparação com o ano anterior, houve uma retração de 9,2% no quantitativo de menores de idade inseridos no trabalho infantil.
De acordo com o IBGE, a diminuição é resultado da combinação entre fatores socioeconômicos e políticas públicas. O cenário de mercado de trabalho aquecido e o incremento na renda familiar ajudaram a diminuir a necessidade de complementação de orçamento por parte de menores. Além disso, ações de fiscalização conduzidas pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) tiveram papel relevante.
O protagonismo do programa Bolsa Família também foi destacado pelos pesquisadores. Entre 2024 e 2025, a retração do trabalho infantil nas famílias atendidas pelo benefício respondeu por mais de 95% da queda total no cenário nacional, totalizando 144 mil crianças e jovens a menos nessa condição.
O Bolsa Família pode ter contribuído para garantir uma renda mínima para essas famílias, além de ter condicionalidades relacionadas à frequência escolar. É algo que pode ter contribuído para essa queda
Na linha do tempo da pesquisa, o trabalho infantil acumulou queda de 28,6% entre 2016 e 2025 no Brasil. Após reduções sucessivas até 2019, o índice subiu 7% em 2022 em relação a 2019, alcançando 1,9 milhão de pessoas, período que refletiu os impactos econômicos da pandemia de Covid-19, cujos dados não foram coletados em 2020 e 2021. Após nova oscilação em 2024, quando houve alta de 2,1%, o indicador retomou a trajetória de queda em 2025.
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) esclarece que nem toda atividade de 5 a 17 anos configura trabalho infantil. A classificação abrange atividades econômicas ou de produção para autoconsumo, variando conforme a idade. No Brasil, o trabalho é proibido até os 13 anos, permitido apenas como aprendiz dos 14 aos 15 anos, e liberado dos 16 aos 17 anos mediante carteira assinada, com proibição de informalidade, jornadas excessivas ou tarefas perigosas. Tarefas domésticas e cuidados não remunerados no lar ficam fora do cálculo.
Entre os menores que realizavam atividades econômicas, quase metade atuava no comércio e reparação de veículos (29,0%) e na agricultura, pecuária e pesca (16,7%). Outros setores frequentes foram alojamento e alimentação (12,2%), indústria (12,5%) e serviços domésticos (6,5%).






